terça-feira, 13 de janeiro de 2009

DUAS NOTAS SOLTAS QUE NÃO ME RALA UM CHAVO COMO VÃO FICAR


1 - Já aqui escrevi que detesto as adjacências do futebol que, raios as partam, são o que de mais há.
Terei sido um dos 35 portugueses que não participou na masturbação colectiva resultante da vitória do Cristiano Ronaldo (CR7) no prémio de melhor jogador da FIFA em 2008.
O meu sentimento perante a náusea que foi o cortejo de reportagens e directos sobre a "cerimónia" e respectivas laterais, vagueia algures entre o asco e a revolta. Entre elas, mal contive um vómito...

2 - Perdi o luar de Janeiro. Desde pequeno que todos os anos o espero. Sempre me disseram que ele é o primeiro, o mais claro, o mais brilhante. O ritmo da vida retirou-mo do olhar, as luzes da cidade ofuscam-no e vulgarizam-no, como vulgarizam as nossas vidas tanto quanto as apalermam.
Nem o "brilho" do CR7 chega (era o que mais faltava) para tapar a glória de um luar de Janeiro. Aliás, o senhor CR7 passará, o luar e a sua luz estão lá, fiéis há milénios, sem ganhar prémios, sem estampar Ferraris ou engatar beldades inchadas de silicone.

domingo, 11 de janeiro de 2009

TEXTOS ANTIGOS - I - Um sorriso por um folheto

Inicio aqui uma série de postas (sem aviso prévio) com textos escritos em papel, há alguns anos e que nunca foram lidos por ninguém, a não ser pelo seu "criador"...
Eles são o resultado de ideias que me vinham e ainda vêm à cabeça, sobretudo quando ando na rua, como é o caso deste que partilho, desde já, convosco.
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Porque demoraste tanto a distribuir isso?
(folhetos de supermercado)
E não me lançaste nenhum sorriso quando me viste a dobrar a esquina da rua. Em vez disso, seguraste na merda dos papéis dos iogurtes e do salpicão da Alemanha, ainda por cima, papelada de gente que te paga migalhas e é podre de rica. Tu andas a pé e eles de Mercedes, gelam-te os dedos, depois tens frieiras e as pomadas custam-te menos duas ou três cervejas.
Mas nem sorriste, caramba!
Custava-te muito?
Trocavas o sorriso por um folheto. Era menos um que distribuías e ninguém dava pelo pecado e depois ais ao padre.
Bem sei e bem vês que o dia está cinzento, mas sabes que por cima das nuvens há sempre sol e os homens
(às vezes são gajas bem vestidas e lambest-e todo, digo eu)
do tempo também se enganam, mas sorriem sempre no fim, mesmo quando dizem que o tempo vai estar uma porcaria.

Tu é que não sorriste e devias. A minha alma pesaria menos, os folhetos distribuíam-se sozinhos, como se fossem hiperactivos e tivessem perninhas.
Agora vamos juntos pela rua, desviando-nos das pessoas nos passeios agarradas aos botões dos casacos e de cara no chão, nós dois com os folhetos debaixo do braço, jurando guerra ao suor do aperto dos sovacos, mesmo perto da garantia dos desodorizantes que desinfectam até as televisões e as rádios.
Mas agora que vais comigo, podes sorrir caramba. Não te custa nada, ou custa-te um folheto que como bem sabes vale uma descarga de sanita.
Pronto, vais dobrar outra esquina, desta vez comigo, vais demorar menos a distribuir os folhetos e vais largar um sorriso com o esmero de um pai feliz ou de um amante contente.

Escrito em Março de 2004

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

NA ESCOLA, SOBRE A ESCOLA E TANTO DELA

Hoje, numa reunião de pais para entrega de avaliação dos respectivos educandos, 40% foi o nível de abstinência.
A hora não serve de desculpa. Fim de tarde, início de noite, com o horário de trabalho já cumprido,
Sintomaticamente, ou não, os pais ausentes foram os dos alunos mais problemáticos e com piores notas.
A dúvida instalou-se no meu espírito...
- Os pais não se interessam porque sabem que os seus educandos são "maus"?
- Os alunos são "maus" porque os pais não se interessam meio átomo pela sua vida escolar?
E no Ministério da Educação? Será que as criaturas, entretidas em impingir modelos errados sobre adjacências ao processo de ensino-aprendizagem, percebem isto, sabem isto, agem sobre isto?
Penso que, face à realidade, lhes será apenas interessante produzirem/decretarem sucesso com base em "artefactos pirotécnicos", quase rigorosamente ao arrepio do que se passa no terreno.
A realidade é demasiado cruel para as suas cabeças e os seus propósitos de "sucesso governativo", num processo completamente artificial que almeja a manipulação do tempo histórico cuja velocidade, já se sabe, raramente corresponde ao que se espera/deseja.
Ainda assim, esta realidade não absolve o desinteresse crónico destes 40% de pais que são, por vezes, os primeiros a vir à escola "pedir explicações" quanto ao insucesso dos seus filhos, algumas vezes fazendo uso de argumentação física perante os professores que sacrificam, quer se goste ou deteste, a sua vida pessoal em prol da escola e dos seus alunos, aguardando nadas, na esperança de que esses pais, todos ou alguns, tenham um rasgo de bom senso e se desloquem à escola para perceberem muito, às vezes quase tudo, do que os seus filhos são ou não são!
Quando tal acontece, o primeiro impacto costuma ser forte na sua frieza.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

VOLTAS PELO MUNDO - III

Mais uma série de 6 fotos das voltas que dei pelo mundo em 2008. Muito paroquiais, bem sei, mas nem por isso monótonas.
Para melhor visualização, clicar duas vezes sobre as imagens!


Ao largo da Calheta, Madeira - Setembro


Foz do Arelho - Julho


Cabo Girão visto da Ponta do Sol, Madeira - Setembro


Aldeia de Sazes do Lorvão, Penacova - Junho


Fim de tarde sobre as desertas, Madeira - Setembro


F-16 a caminho de mais um voo, Monte Real - Julho

domingo, 4 de janeiro de 2009

TREMER


Imagem daqui

Tremo de emoção quando ouço na rádio (TSF) a equipa que vai "orientar" o senhor Engenheiro e Primeiro-Ministro ao seu congresso coreano-albanês de Fevereiro.
Todos nomes "sonantes da política" e da governação, (Santos Silva, Silva Pereira, Alberto Martins...) acrescentados da indispensável Edite Estrela.
Entre eles (alguns deles) e para "tratar" o poeta contestatário e dissidennte, a máquina de comunicação do PS, bem oleada, tratou de apresentá-los como "ex- apoiantes de Manuel Alegre".
Teremos, pois, um congresso interessantíssimo e plural. Como há pão, ninguém ralha perante o chefe que tem razão!
É por isto que eu adoro a política!...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

VOLTAS PELO MUNDO - II

Tarde junto ao rio Mondego, Penacova - Novembro

Praia de Mira, Agosto

Fim de tarde, Funchal - Setembro

Foz do Arelho, Julho

Capela da aldeia do Caratão, Gois - Maio

Pérgula no Buçaco, Maio

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

HABITUEMO-NOS

Cavaco Silva, Presidente da República, está firme, continua firme no seu propósito de ajudar, o governo.
Nem mesmo o ter dito que "as ilusões se pagam caro" chega para beliscar o sucesso do senhor Engenheiro Primeiro-Ministro!
Depois "daquilo" dos Açores, a tempestade amainou (efeitos do anti-ciclone açoriano, que regra geral traz bom tempo...) e preparemo-nos, por isso, para mais quatro anos de "socratismo" e de "tecnobytes" quanto baste. Certamente pobretes, mas eventualmente alegretes!

Adenda 1: Não há que esperar nada mais de Cavaco. O seu discurso poderia ter sido lido há um ano, dois ou três atrás, como muito provavelmente poderá ser lido para o ano e para o outro que ninguém repara, ninguém liga ou notará diferença.
Um círculo é sempre um círculo e no caso, apenas o raio varia, conforme o tamanho que se quer...

Adenda 2: Agradecimento ao Pedro Correia do "Corta-fitas" pela simpatia em publicitar este pobre blog "cheio de caspa"!

Adenda 3: Mais fotos de voltas pelo mundo, amanhã!

2009

00:15H - 1 DE JANEIRO DE 2009

Bom ano para todos!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

VOLTAS PELO MUNDO - I

Dando corpo a um dos pilares deste "Ataque de Caspa", dou início a uma série de três ou quatro postas, com seis fotos cada, sobre as voltas que dei pelo mundo em 2008.
Um mundo "curto" em termos geográficos, mas bem diverso no que respeita às vistas que nos oferece.



Final de tarde na Calheta, Madeira - Setembro


Preparar para voar, BA5 Monte Real - Julho


Nuvens negras sobre uma cidade imortal, Coimbra - Maio


Lua a nascer sobre a planície, Montijo - Novembro


Igreja do Mont'Alto, Arganil - Dezembro


Manhã na baía do Funchal - Setembro

Para melhor visualização das fotos, clicar sobre elas...

CAVACO FALARÁ

Corre por aqui que o Presidente Cavaco Silva vai falar, logo mais pelas 20:15h
Sempre que estas "notas à imprensa" correm, duas sensações se apoderam de mim:
1 - Penso sempre que Cavaco se "vai passar" e dará um valente puxão de orelhas ao governo e ao Parlamento, ficando eu, portanto, cheio de "esperança";
2 - Quando esta sensação passa e demora pouco a passar, fico com a sensação que a "montanha parirá, para não variar, mais um pequeno rato!"
Espero, continuando a não variar, para ver e ouvir.
Entretanto, já tenho preparada uma pequena "ratoeira", não vá o "pequeno rato parido" passar aqui por casa...

domingo, 28 de dezembro de 2008

ARQUIPÉLAGO DE NADAS

"(...) o meu pai na vila como se apenas a vila conseguisse existir, reinando sobre a poeira dos mortos
(há momentos em que me pergunto se não estamos todos mortos salvo o meu irmão a contemplar o relógio de que o esmalte dos números se deslocou com o tempo)"

"(...) uma dificuldade de ferrugem corrigia a direcção do silêncio, não o silêncio da ausência de ruído, uma mudez feita de vibrações que se anulavam umas às outras de muita gente a falar e apenas reparamos nas bocas que não têm e nos vapores da terra de que nasciam insectos(...)"

In "O Arquipélago da Insónia" - António Lobo Antunes


NOVA CARA


Um lapso de tempo, roubado ao sono, deu para algumas alterações no visual desta coisa.
No cabeçalho, um pedaço do "Nocturno" de Miró, (inteiro por cima deste texto) alguém cuja arte me agrada de sobremaneira.
Alterações também nas cores. Os cinzentos deram lugar aos verdes. Troquei a sombra por doses desejadas de esperança.
Espero que o interesse do blog se mantenha (e por vezes interrogo-me se o tem) e, se possível, aumente, pese embora seja eu o único responsável pela sua gestão, logo o culpado pela qualidade (ou sua ausência) do que se aqui vê ou lê.
A caspa continuará, pois, meio indiferente à sua reduzida expressão, tomadas as audiências no seu quê de interpretáveis. O tempo se encarregará de marcar o futuro.
Como diz a frase agora na coluna da direita, na lucidez de Oscar Wilde e adaptada a dita aos blogues: "Viver é o que há de mais raro. A maioria (dos blogues - acrescento eu) apenas existe."

sábado, 27 de dezembro de 2008

2009?

Quando penso no novo ano de 2009, fico com a impressão que este de 2008 - quase a acabar- e que foi francamente negativo para mim, pode muito bem ser uma espécie de "menino de coro" dos últimos anos.
Há por aí uma Lei de Murphy que diz: "Quando uma coisa pode correr mal, há todas as..."
...Não, não!...
Quando se fala em algumas doenças, parece que acabamos por apanhá-las!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

DEMASIADO PEQUENOS


Quando ontem à noite conduzia, de regresso a Coimbra, uma "estrela cadente" surgiu-me pela frente.
Na sua normalidade, o fenómeno não deixou de me "tocar", fosse pela sua beleza intrínseca, fosse pelo conteúdo interpretativo.
Perante o rasto de luz visível, percebemos como temos por cima de nós um "capacete" protector chamado atmosfera, algo não decretável por leis governamentais, nem tão pouco pelas "férreas certezas" do Primeiro-Ministro, por muito que ele o quisesse na sua ânsia de "salvador popular".
Porém, o fenómeno visível, não esconde a imensa fragilidade a que estamos expostos.
Não passamos de grãos de pó, hiper-vulneráveis a forças que não controlamos, por muito que as possamos adivinhar como iminentes ou prováveis num qualquer dia do futuro.
Tudo isto me leva a pensar que esta vulnerabilidade espacial é imensamente mais "relativa" do que as nossas glórias ou desgraças terrenas; ao colapso dos bancos ou do nosso "estilo de vida"; aos decretos dos governos e governantes; às guerras de instituições; aos lapsos e relapsos dos controladores e vigilantes dos nossos sistemas funcionais.
Um simples meteoro que a atmosfera deixe "escapar" e que tenha uma dimensão importante, deixa numa prateleira de insignificâncias, todos estes "problemas" em que nos embrulhamos presentemente.
Somos demasiado pequenos perante um universo de força e dimensão esmagadoras.

sábado, 20 de dezembro de 2008

AS MOEDAS


Segundo Cavaco Silva, o Presidente ausente, a "má moeda", aqui há uns 4 anitos, precisava de ser banida.
E foi.
Agora parece que quer voltar, entrando pela porta da capital!
Tudo desdenha, principalmente a laboriosa formiga morena, outros com pânico mal disfarçado, etc e tal...
Deixem cá ver se percebo ou se alguém dá uma ajudinha e para tal...
...Cá vai pergunta, certamente tão idiota como infantil:
Que tipo de moeda é a que temos no governo?